terça-feira, 20 de março de 2012

...e amansou todos eles com um truque mágico de 
olhar nos olhos amarelos deles sem piscar nem uma vez
e eles ficaram com medo e disseram que mais 
monstruoso do que ele não havia
e o fizeram rei de todos os monstros!


quarta-feira, 7 de março de 2012

"Você tem uma ânsia, um apetite
que me esgota. Ninguém pode viver
tendo que se empenhar até o limite
de suas forças, sempre, pra fazer
qualquer coisa. É no amor, é no trabalho,
é na conversa, você me exigia inteiro,
intenso, pra tudo, caralho...
Tinha que olhar pro céu pra dar bom-dia,
tinha que incendiar a cada abraço,
tinha que calcular cada pequeno
detalhe, cada gesto, cada passo,
que um cafezinho pode ser veneno
e um copo d’água, copo de aguarrás..."
Breviário Gota d'água

É muito apetite por essas palavras, fome de devorá-las
vontade de encontrar (e já encontrei em muitas) pessoas o que me dá vontade de experimentar nelas
o quanto a experimentação delas tem a ver comigo e o quanto não tem
o quanto, de tudo que vem a mim, é de mim e não é
e como o que não é de mim me causa comoção a ponto de querer beber, mastigar, consumir

você tem sede de quê?
você tem fome de quê?

a essência e o ser dos outros não me mantém viva, respirar me mantém viva
mas me aquece e me inebria, faz ferver o sangue que consumo a cada dia

eu tenho sede de que (!)
eu tenho fome de que (!)

o agror vira sabor
se vira e se desvira, se enterra em chamas vivas
sobre cinzas e algumas vontades de potência (muitas, infinitas)

vivacidade, grandes explosões de ardor dentro da massa desejo,
massa não falida, ao contrário, muito bem sucedida
e o que os olhos examinam e a cabeça deduz
me sobra espaço e tempo, me sobra alegria, não falta luz

potencial que vem das milhões de luzes acesas encontradas pelo cérebro (máquina)
do conhecer, encontrar, e não deixar nunca desvencilhar, ou deixar
abrir espaço, gerar lugar pra mais e mais e muito mais, não deixar parar
pulsar sempre, sempre pulsar

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012



É que tô desenhando mais e falando menos.
E daí resolvi desenhar meus medos.
Aquela história:
se não pode contra seus inimigos, junte-se a eles.
É bom conhecer bem de perto pra saber lidar

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Copas

Depois que pintaram as rosas brancas de vermelho,
a rainha agora ordena que transformem a roseira em amor.
E se o sujeito não corresponder, que cortem-lhe a cabeça.


O mais importante não é amar,
o mais importante e perceber-se sendo amado.

Max



Pretending to be a wolf.
Pretending to be a king.


Existem coisas pesadas demais pra carregar sozinho.
E sentimentos que não combinam com coração,
melhor deixar pelo caminho.

Just a boy.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Paciência e Pavão

Hoje foi dia de paciência e de relembrar de coisas que gosto bastante.
Gosto mais de colorir do que desenhar, e adoro lápis de cor, às vezes só olhar pra eles. 
Fazia muito tempo que não passava um tempo com eles, coloridos, vibrantes, 
apontei um por um, sem dor na mão porque fiz devagar.


Escolhi hoje pra ser o dia da paciência porque não tenho hábito de escolher dias pra paciência. 
Eu não tenho paciência alguma em manter hábitos.
Confesso que alguns lápis me deixaram um pouco sem paciência 
quando insistiam em quebrar a ponta 3 ou 4 vezes. 
E teve a luz do quarto que apagava e acendia de 5 em 5 minutos me atrapalhando. 
É que eu não tentei trocar a lâmpada com defeito por uma nova.
Minha preguiça.
Minha culpa.

Eu escolhi começar com azul. 

É bem difícil escolher qual cor usar em determinado lugar, 
qual cor é mais bonita, qual cor merece mais estar alí.




Descobri que monstros e reis tem coração, e eles não precisam o tempo todo assustar e mandar.
Há muitos jeitos de se fazer um coração, vermelho, pulsante, AZUL!
Enquanto os corações vermelhos são quentes, os azuis são calmos e despreocupados com a realidade.
Mantenho meu coração azul. 
Melhor seria se pudesse ter vários corações, seria um de cada cor e eu usaria um pra cada dia. 
Então resolvi desenhar um pavão.
O pavão além de ter sorte em ser o mais bonito dos animais, ainda tem milhares de corações, 
AZUIS!


As penas do pavão são talvez a coisa mais bonita da natureza, 
contém coração, contém cor, e brilho, forma um desenho bonito e é tudo pena. 
Muita pena. 
O pavão é feito de pena das mais bonitas, meio incoerente porque 
pena é um sentimento não muito agradável. 
Nem o pavão, o mais bonito dos animais precisa ser perfeito.


Eu nunca vi um pavão voando.


Talvez ele tenha medo de alcançar um lugar muito alto, ou de cair antes de chegar onde quer.
Voar exige muito mais que asas.
E não adianta ter asas e não voar, com o tempo elas atrofiam.
É preciso ganhar asas quando já se sabe como usá-las
 e quando já se sabe o destino para o qual elas vão levar.



Assim como o pavão e como o Camelo, eu também quero ver o sol se pôr vermelho.
E quero ver logo, porque tenho muito medo (olha ele aí de novo) de que o sol apague pra sempre
e não seja mais de nenhuma cor.

As coisas acabam um dia, é inevitável e importante quando elas fizeram seu papel bem feito e deixaram afetos pra serem lembrados. 
Deixo que acabe.
Desapego-me do que me fez bem um dia e não precisa mais me ajudar.
Deixo que faça bem à outro agora.



O lápis acaba quando quebra demais, e quebra demais quando uso demais.
Não dá pra ter medo de ponta quebrada, porque é isso, as pontas foram feitas pra quebrar.
E quando se usa de menos como o lápis branco, deve ser tratado com carinho, 
separá-los dos outros lápis pra não sujar.
Alguns sentimentos a gente tem que guardar separados dos outros, 
numa caixinha transparente, pra não esquecermos que eles estão lá e nos pertencem.
Pra não precisar tocá-los e saber que eles continuam lá. 
Alguns sentimentos são tão puros e frágeis que não dá pra correr o risco de deixa-los sujar.

Hoje é domingo, dia de paciência.
Foi o melhor domingo que tive dos que eu consigo me lembrar.
Diferente, bem diferente do domingo passado que acabou com um pouco do meu coração, esse me revigorou e reviveu uma parte de mim que eu tinha esquecido que era minha.



O quarto continua uma bagunça.
Aqui também é.
Culpa da cabeça que não consegue se organizar nem nos próprios pensamentos.
Talvez seja culpa maior da quantidade de informação que me trazem e eu vou buscar.
Decisão e organização, 2 coisinhas que preciso treinar bastante.


Por sorte eu não deixo ninguém invadir essa bagunça que eu sou.
O meu espaço, as sensações que só eu sou capaz de entender (e nem sempre entendo).
Porque só eu sinto, do jeito que elas saem de mim, não quero que elas passem pra ninguém, 
assim como não empresto meus lápis e meu batom vermelho.


Foi bem difícil de guardar os lápis, mas eles também merecem descanso. 
Vou descansar!